terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O Pacheco foi com os porcos


O Luíz Pacheco é um daqueles escritores que é membro permanente da instituição literária que é a minha mesa de cabeceira, porque quando preciso dar um coice no espírito volto sempre a ele. Foi lá parar (à minha mesa de cabeceira) desde que o Sr. Luís da Livraria Ler, em Campo de Ourique ao Jardim da Parada, de quem posso dizer com todo o orgulho do mundo ser amigo, mo deu a conhecer através de duas pérolas que ele próprio editou, os Textos de Guerrilha.

Desses livros às histórias que o Sr. Luís me contou sobre o homem e às histórias surreais mais realistas que o homem imprimiu em todos os tipos de papéis foi um pequeno passo para uma grande paixão literária. Porque ninguém escreveu como o Pacheco: dos amores punheteiros ao escárnio e maldizer; das notas de 20 escudos aos 1001 livros que publicou e ajudou a publicar; do eruditismo popular ao libertinismo regrado; da cama aberta a todos ao maior cosmopolitismo vivido durante o Estado Novo; da total exposição da vida privada a uma vida privada de tudo e mais alguma coisa; da morte anunciada há anos e anos a toda uma vida que dura e dura; da miopia mais curta de vistas às vistas mais largas deste nosso Portugal; pela elegância com que se consegue dizer os palavrões mais orelhudos.

Por tudo isto, dizer que o Pacheco foi com os porcos é a melhor homenagem que posso prestar a um conterrâneo lisboeta e ex-vivente deste bairro da Estefânia que agora me abriga. E já agora obrigadinho em nome da língua portuguesa.

Grupo Leya?

Pergunto eu: o que é que Leya tem a ver com português? É caso para dizer: fonix. Ou será phone-ix?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Atenção: fumar aumenta os índices de literacia.

Os Malefícios do Tabaco” segundo Nuno Brederode Santos, ou “2008: o Ano do Terror” segundo Miguel Sousa Tavares?

Como ex-fumador de longa data e vivente com uma ex-fumadora de recente data, para mim a acesa questão do tabaco devia ser apenas uma questão de civismo e não de legislação paternalista. Ninguém quer obrigar ninguém a deixar de fumar, até porque em última análise estamos a falar de uma droga legal e da liberdade de cada um. Se bem que a liberdade de fumar se cruza com a liberdade de não ter de apanhar com os fumos de outrem. Volto por isso a frisar que é tudo (ou devia ser) uma questão de civismo.

Mas o que é que isto tem a ver com um blog que se afirma de todos os livros e de todas as letras? Tem precisamente a ver com as letras que têm surgido a lume na imprensa dos últimos dias contra a nova lei do tabaco, parece que ela própria minada de cancro logo à partida. E tem a ver com a diferença entre a escrita elegante e eloquente de Nuno Brederode Santos e o terrorismo institucionalizado segundo Miguel Sousa Tavares. Leia-se e perceba-se a diferença entre um bom viciado e um mau viciado.


Os Malefícios do Tabaco / Nuno Brederode Santos

A última coisa que apetece a um fumador pachola e contentinho, com quase meio século de cadastro e dois restinhos de pulmão ao seu dispor, é ver convertida em polémica filosófica e motivo de apaixonadas doutrinas a pequenina e mecânica pulsão de puxar por um rolinho de papel, entalá-lo entre os lábios e chegar-lhe um fósforo. Olhando para trás, não tenho o remorso do crime hediondo, premeditado a frio e na minúcia, com o tresloucado objectivo de extinguir os meus contemporâneos e de me apossar das riquezas do mundo, para meu mando e desmando. Não. Vejo mais um puto que foi ao café antes de tempo e que, por entre a curiosidade e a propensão para partilhar as liturgias conviviais, se foi habituando a meter lufadas de calor nas entranhas e a achar que, ao expeli-lo, os argumentos saíam muito mais inteligentes. E, afinal, o Hemingway fazia-o, o Albert Camus também e o Bogart, esse então, era inimaginável sem o cigarro na boca. Eu não via então no tabagismo uma vocação de raça ou tribo, princípio ou credo, confraria ou partido. E o mesmo sucedia com a maioria dos meus amigos, que o curso da vida iria levando a abdicar do cigarro (ou do charuto ou do cachimbo) ao ritmo dos sustos que a saúde lhes foi pregando. Retardatário, eu aguardo ainda o meu, numa qualquer esquina que bem pode ser a próxima. Mas ainda não me apeteceu empenhar as energias - que tudo na vida requer e para tudo na vida fazem falta - na abdicação de um pequeno prazer, mesmo que feito de mero hábito e auto-sugestão.

Sei que é um vício e gosto dele: como a personagem do Wilde, resisto a tudo menos à tentação. Não me imagino, por isto, herói nem mártir. Não me pinto vítima, nem resistente. Enuncio o mais rudimentar dos porque-sins da vida quotidiana, convencido, como sempre estive, de que é nela que a felicidade se joga. E sobre esta matéria, é o que tenho para dizer ao jovem médico que vi na televisão e que, de tão louro, imberbe e feroz no discurso sanitário de apuramento da raça, me fez evocar os netos das experiências do Dr. Mengele. E aos comissários europeus politicamente excedentários, que precisam de mostrar que o seu pelouro existe, para o que se dedicam a infernizar o nosso quotidiano com minúcias em papel timbrado e um puritanismo a que chamam rigor. E também aos deputados que deixaram a lei pendente de regulamentação, sem proclamar, preto no branco, que a mesma condicionava a aplicação do diploma (não porque tal fosse tecnicamente necessário, mas porque, como a experiência ensina e a prática deste início do ano comprova, era politicamente necessário). E ao Governo e todas as instâncias que objectivamente jogam com a falta de regulamentação para levar a incerteza e o medo dos comerciantes a instalar uma situação que não é a que a lei contempla e prevê.

Porque a questão que coloco é muito simples: o legislador tem de assumir a sua lei e as suas consequências. E se a lei suscita dúvidas de interpretação - talvez precisamente por não ter sido regulamentada, nos termos em que foi anunciado - não me interessam nada as interpretações da Direcção-Geral da Saúde ou da ASAE, entidades a que não compete nem uma interpretação autêntica nem a regulamentação da lei. Pelo que os seus facultativos contributos não valem mais do que o mérito técnico que tiverem - tal como as minhas e as de qualquer paisano, fumador ou não. Pois, para além da técnica, o que está aqui em jogo é uma dimensão de liberdade individual - e, dessa, ninguém sabe tanto como o indivíduo que é dela titular.

O inaceitável é a fuga às responsabilidades. É despejar o ónus de uma aplicação maximalista da lei sobre os atarantados donos de pequenos restaurantes que, querendo optar por fumadores ou apetrechar-se para áreas com e sem fumo, têm medo de o fazer segundo a sua própria leitura do diploma e virem depois a perder o investimento realizado. Isto é uma espécie de "por agora, isto é o maximalismo irlandês, mas o brando Portugal já aí vem" (com a regulamentação). Se a lei é a que foi votada, regulamente-se e cumpra-se "como nela se contém". Se é para endurecer, que volte ao Parlamento e dê a cara. Sob as leis de Atenas, não deve haver vida espartana.


2008: ano do terror / Miguel Sousa Tavares

Bem-vindo ao ano de 2008 e a um país onde o terror passou a ser lei e o Estado democrático e republicano foi substituído por um Estado policial onde a totalidade dos cidadãos assume a condição de vigilantes da lei e da virtude e a totalidade das forças policiais estão mobilizadas para acorrer a todo o lado e reprimir na hora os prevaricadores dos bons costumes. Havia a Arábia Saudita, o Irão e os Estados Unidos. Agora há mais um país oficialmente fundamentalista: Portugal.

Com a entrada em vigor da famigerada Lei 37/07 - a lei antitabagismo -, passa a vigorar entre nós uma lei do terror e o país reencontra-se com a sua velha vocação de proibicionismo, delação e repressão dos direitos individuais. Tudo para perseguir um vício que, note-se, é, todavia, legal e fomentado pelo próprio Estado. O Estado financia, com dinheiros europeus, o cultivo de tabaco; o Estado produz e comercializa cigarros, em regime de quase monopólio, através da empresa pública Tabaqueira; o Estado taxa, de seguida, a venda de cigarros (que ele próprio promove), constituindo essa uma das suas principais fontes de receita. E, no fim do processo, o mesmo Estado, movido pela nobre intenção de defender a saúde pública, decreta que quem fuma deve ser perseguido, denunciado e multado em todo o lado. Qualquer "dealer" de drogas duras tem mais credibilidade moral do que o Estado português. Nem os "dealers" de heroína perseguem os clientes nem o Governo da Arábia Saudita promove a venda de álcool aos fiéis a quem proíbe beber.

Tardámos, mas, nestas coisas do politicamente correcto, quando avançamos é a matar. Sobretudo se tudo o que se exige aos governos é que proíbam e multem. Nenhum país do mundo (excepção feita aos Estados Unidos, em alguns Estados) foi tão longe em matéria de perseguição aos fumadores - mas também se compreende, visto que eles são os maiores produtores mundiais de tabaco e, se o proibissem, levariam à ruína e ao desemprego milhões de agricultores e trabalhadores das tabaqueiras. Neste campo, quanto maior é a culpa maior é a hipocrisia.

Ao abrigo da Lei 37/07, nenhum trabalhador, mesmo que a sós no seu gabinete de trabalho e sem contacto com outros, vai poder fumar; o engenheiro José Sócrates vai ter de ir fumar para os jardins de São Bento, porque lá dentro está num edifício de um órgão de soberania; um velhinho, internado para morrer num lar e cujo derradeiro prazer seja o cigarro, não o vai poder fumar porque chamam a polícia; um preso pode pedir uma seringa nova numa prisão para injectar droga, mas não vai poder fumar, excepto no recreio ao ar livre; em locais como a Feira da Golegã, a Fatacil, a Ovibeja ou a Feira da Ladra, mesmo ao ar livre, não se vai poder fumar, porque são recintos de feira; nas praças de touros não se vai poder fumar, porque são recintos de espectáculos; o faroleiro do Bugio ou o guarda-linha da CP, mesmo na solidão absoluta das suas moradas, não vão poder fumar, porque estão em instalações do Estado; pela mesma razão, nem sequer o embaixador vai poder fumar, nas várias embaixadas de Portugal espalhadas pelo Mundo; não se vai poder fumar nos quartéis, nos navios da Armada, nas estações e gares de comboios e barcos, nos aeroportos, em todos os ministérios e repartições públicas, nos hospitais e centros de saúde, nas Pousadas de Portugal e em todos os hotéis que o decidam, em todos os espectáculos, excepto nas zonas ao ar livre dos estádios de futebol (à excepção do camarote presidencial do Benfica e do FC Porto). Mas, resumindo: como não se pode fumar em nenhum local de trabalho nem de atendimento ao público, as quarenta e tal proibições da Lei 37/07 tornam-se inúteis e, com um legislador menos incapaz, ter-se-iam reduzido a uma simples formulação: é proibido fumar em todo o lado, excepto ao ar livre e dentro do transporte individual ou da casa de cada um. Ressalvando, todavia, que, mesmo ao ar livre, há casos de proibição na lei e que, mesmo em casa de cada um, nada exclui que, tal como previsto na lei, "por determinação da gerência" do condomínio, se possa proibir o fumo em todo o prédio.

Só alguém com sérios problemas mentais poderia ter feito esta lei. E só uma Assembleia de deputados incompetentes e sem coragem nem vontade própria a poderia ter aprovado. É uma lei à medida de um país de polícias e de eunucos. Chamada a resolver uma situação em que se tratava de proteger os não-fumadores do fumo passivo, obrigando à criação de áreas específicas para fumadores, o legislador não esteve com meias medidas e quis lá saber se os fumadores tinham ou não alguns direitos também. A regra foi proibir quase sempre e em todo o lado e, quando misericordiosamente entreabriu algumas portas (como no caso dos bares e restaurantes), determinou tamanhas exigências técnicas que a tradicional lei do menor esforço e a falta de profissionalismo em vigor no sector se encarregaram de chegar à solução mais fácil: que vão fumar para a rua e é enquanto podem.

Já andam para aí alguns zelotas preocupados em que a lei possa não ser cumprida em todo o seu rigor. E alguns descendentes mentais dos antigos 'bufos' da PIDE já se encarregaram de telefonar à polícia a denunciar fumadores. E a polícia lá acorreu, pressurosa, para reprimir à nascença a difusão deste odioso crime - que é o único não previsto no Código Penal e fomentado pelo Estado.

E lá, do seu pedestal onde figura como Torquemada ou Elliot Ness da Reboleira, de crachá pendente do cinto das calças e ar ameaçador (vide revista 'Tabu' do último sábado), já afia o dente António Nunes, o presidente dessa nova polícia chamada ASAE, cujos agentes se apresentam de camuflado negro e em estilo de brigada antiterrorista para inspeccionar restaurantes e cafés do país e agora mobilizada para o combate a este novo crime.

A lei, aliás, parece feita de encomenda para o senhor da ASAE. O homem que promete acabar de vez com as bolas de Berlim nas praias, os pastéis de bacalhau nas tascas e os doces de fabrico caseiro nos cafés, que jura guerra às colheres de pau nas cozinhas e que promove um mundo totalmente plastificado - colheres, copos, luvas, embalagens para tudo - e que suspira filosoficamente que a "dura lex, sed lex" o vai obrigar a fechar metade dos restaurantes do país, não podia ser mais adequado a esta nobre tarefa de perseguir os fumadores em todas as feiras, chafaricas e recantos do país profundo. (Na Irlanda - esse país que ainda há poucos anos perseguia os 'infiéis' não-católicos como emissários do demónio -, a perseguição aos fumadores desencadeada pela ASAE local levou já ao fecho de 11 mil "pubs" de província, de acordo com o lema "acabamos com os fumadores nem que tenhamos de acabar com a vida no interior!") Um bom exemplo para Portugal.

Sosseguem, pois, os "ayatollahs" de serviço por aqui: temos a ASAE e o seu exército de camisas negras com as narinas devidamente treinadas para cheirar qualquer resquício de fumo a léguas de distância. E temos os eternos 'bufos' disponíveis para denunciar nem que seja o velhote que há anos se senta na mesma mesa da tasca do bairro para jogar dominó com os amigos e acender um cigarro para queimar o frio e a tristeza. A tristeza por viver num país onde se respeita tão pouco a liberdade dos outros.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Don Delillo II



“Estes são os dias do depois. Tudo agora se mede em depois”.

Esta frase resume a mais recente obra de Don Delillo, “O Homem em Queda”, e o meu primeiro livro não só deste autor como também sobre a temática do 11 de Setembro. E esta frase torna-se ainda mais tumular porque nunca me tinha apercebido até que ponto o 11 de Setembro foi de facto um marco que os americanos vão demorar muito tempo a ultrapassar. Em “O Homem em Queda” percebe-se que realmente nos EUA existe um pré e um pós 11 de Setembro e que a partir deste momento definidor nada será como dantes.

Para nos conduzir a esta constatação estrutural, Delillo propõe-nos uma história centrada sobretudo na vida de 4 indivíduos: um sobrevivente do atentado que estava numa das torres no momento do impacto; a ex-mulher dele e o reencontro de ambos um com o outro e consigo próprios; um dos responsáveis pela catástrofe, as suas motivações e a sua viagem para a morte dentro do avião; um homem-estátua em queda permanente e nos locais mais imprevisíveis, que não deixa ninguém esquecer as pessoas que caíriam e/ou saltaram das Torres para a morte certa.

Uma história metafísica sobre as obsessões destas pessoas (que são o espelho de todas as outras) e como o 11 de Setembro ao mesmo tempo alterou e clarificou tudo. Uma história existencialista, que transpira Kierkegaard por todos os poros, sobre as introspecções, as memórias passadas e futuras e os sofrimentos das suas personagens. “Kierkegaard proporcionava-lhe uma sensação de perigo, de estar à beira de um abismo espiritual. Toda a existência me assusta, escreveu ele. Ela revia-se nesta frase”. E o livro também. Por isso é que o seu fascínio reside em perceber como é que toda a existência se reflecte em quatro personagens e uma catástrofe.

O prazer de descobrir um dos maiores escritores americanos vivos lançou-me de imediato para um segundo Don Delillo, um livro que já há muitos anos estava à espera da minha leitura numa prateleira escondida lá de casa: “Mao II”. Apesar dos 16 anos que separam as duas obras, mal deixei entrar as primeiras letras e descobri uma ponte entre os dois livros - as torres que caem em “O Homem em queda” (2007) e as torres que nascem em “Mao II” (1991) - senti uma estranha sensação de estar em casa. Novamente as obsessões, o foco em personagens perturbadas que parecem ter sempre algo escondido por revelar. Mas desta feita estamos perante o encontro entre um escritor que se torna cada vez mais famoso à medida que passa o tempo sem dar a cara em público e sern escrever nada, e uma fotógrafa cada vez mais famosa por se dedicar a fotografar escritores e que consegue fotografar o escritor desaparecido. O enredo está lançado mas o fim fica para outro post. De qualquer maneira, bem vindo Don Delillo ao meu mundo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Porque o Natal assim tem muito mais graça

O Que Fizeram do Natal
(Carlos Drummond de Andrade)


Natal.
O sino longe toca fino,
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
encontraram o coitadinho
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas,
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Para acabar de vez com a sacralização do Natal

Chove. É dia de Natal
(Fernando Pessoa)

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

I Believe!

"The Believer is a monthly magazine where length is no object. There are book reviews that are not necessarily timely, and that are very often very long. There are interviews that are also very long. We will focus on writers and books we like. We will give people and books the benefit of the doubt. The working title of this magazine was The Optimist". Para além deste sugestivo manifesto de intenções esta revista é ilustrada por artistas como Charles Burns e Tony Millionaire.

Mandei vir um número pela Net para experimentar, mas será que alguém sabe onde é possível (e se é possível) encontrá-la à venda em Lisboa? Eu encontrei-a aqui .

Monocle 2008

Já me chegou às mãos o novo número da cosmopolita Monocle, um especial sobre aquilo que podemos esperar em 2008, com os conteúdos incisivos e o melhor design editorial a que a revista já me habituou. Imprescindível . Aconselha-se particular atenção ao excelente artigo sobre o canal Arte, que ensina como saber fazer boa televisão, tema fundamental em Portugal.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Mário Cláudio – Mestre das Letras


Há anos que andava à procura de “Amadeo”, um romance biográfico (uma «psico-socio-biografia», nas palavras do autor) sobre o maior pintor português de todos os tempos, publicado em 1984 e desaparecido das prateleiras das livrarias. Fui encontrá-lo na feira de livros usados que se realiza no Chiado, quando ele me acenou com a sua capa de uma banca repleta de preciosidades. Senti aquele arrepio que devem sentir todos os que, como eu, se perdem pelas letras e por objectos desejados e difíceis de encontrar.

Para além desta emoção que esta descoberta me tomou, qual brinquedo de criança, esta obra tem o condão de conjugar o meu pintor português preferido e um dos autores mais estimulantes da nossa contemporaneidade. Um autor que tem o dom da palavra como ninguém e que coloca nelas aquele requinte cosmopolita típico do Norte de Portugal. Um autor com quem estamos constantemente a aprender novas palavras, ou se calhar velhas palavras que não podem cair no esquecimento, palavras que têm um sabor especial no palato intelectual e que compõem enredos nem sempre fáceis, aliás sempre exigentes e, por isso mesmo, desafiantes e imperdíveis. Enredos onde a arte da literatura se confunde com a arte das belas-artes e a arte da nossa história e da história universal.

A mais recente obra do autor, “Camilo Broca”, é uma viagem alucinante à história dos antepassados de Camilo Castelo Branco, onde a fronteira entre ficção e realidade é extremamente ténue, mas onde se compreende toda a obra e a personalidade de Camilo. Uma verdadeira obra de arte da literatura portuguesa. Aconselha-se ainda vivamente a trilogia “Ursamaior”, “Orion” e “Gémeos”, descrita pelo autor como relacionada com “situações de alguma marginalidade” e “discurso problemático com o poder”, transversais a três gerações de personagens, uma por volume.

Um autor para ler e reler, com muitas entrelinhas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Private Joke


Carla, esta descobri no "Um Estranho em Goa" do Agualusa e é para ti:

“Uma mulher muito esguia, e de gestos tão suaves e vagarosos que imediatamente me lembrou uma garça”.

Directory of Books Blogs Blog Directory Add to Technorati Favorites